domingo, 22 de novembro de 2015

O frio na barriga

Então, graças ao Marcos Tadeu e  minha meta atual de escrever 1500 palavras por semana, hoje vou sair um pouco das temáticas e fazer uma postagem mais pessoal.

Amanha estou partindo para minha estadia de um ano na Eslovênia para terminar meu doutorado lá. E estou paralisado de medo. Sim eu verifiquei tudo já, tenho onde ficar temporariamente, já chequei as informações de voo e tudo mais. Mas ainda sim ir para outro país sozinho, sem conhecer ninguém para morar um ano da medo.

E por mais que eu pareça calmo, descobri que a ansiedade mata totalmente minha produtividade em qualquer nível. Por mais que tenha tempo eu não consigo pesquisar, desenhar, tocar violão ou sequer me planejar direito para a viagem. É comum acabar parando para verificar mentalmente se tudo esta ok, coisa de cinco minutos, e um pensamento leva a outro que leva a imaginar formas de tudo dar errado. Ai quando olho no relógio ja se passou mais de uma hora só nisso.

E eu fico nisso esperando a viagem chegar de fato.

Mas nem tudo são espinhos. Estou ansioso para conhecer esse país, perder o medo de viajar totalmente sozinho, ver novas pessoas, procurar por conta própria um lugar para morar em um país totalmente desconhecido.

Uma vez uma amigo me disse que não tinha tanta ânsia de viajar para outros paíswa pois quanto mais ele conhecia pessoas de outros lugares, mais ele notava que no fundo temos todos os mesmos medos e ambições. Acho que justamente por isso quero ir para longe. Porque todos somos humanos, mas o que muda é sutil. Passar dois dias no Rio de Janeiro conversando somente com guias turísticos pode dar a um americano a impressão de que somos todos iguais, que o carioca típico tem os mesmos medos e ambições que ele. Mas levaria semanas, se não meses, fazendo amizades para entender o quão diferentes somos realmente.

Levaria muitas conversas de buteco para um americano realmente entender a diferença essencial de como nós não temos o menor respeito por autoridades políticas, enquanto eles tem o sonho americanos deles.  Em um dia, um turista poderia entender que todo brasileiro quer ser o "espertão" e passar os outros para trás, mas levaria muito tempo para realmente ver como a cultura do jeitinho está infiltrada nos mínimos detalhes da nossa vida, desde a criação até os níveis acadêmicos.

E com certeza essas diferenças sutis existem entre diversos povos. É fácil imaginarmos todos europeus como estereótipos de britânicos aborrecidos e franceses pedantes. Mas com certeza as diferenças culturais entre um polonês e um austríaco diferem tanto quanto de um brasileiro e um mexicano, mas na superfície tendemos a imaginar todos como europeus chatos.

Por isso, e outros motivos, estou ansioso por amanha, por ver como deve ser aquele paizinho que tem uma população total menor que a da cidade de BH. Espero muito que o clima la dê uma esfriada, considerando as tragédias recentes, mas acho que as coisas irão ser de boa...

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