quarta-feira, 15 de junho de 2016

+ Eslovenia no verão

O clima aqui tem uma influência muito grande em tudo. Esses dias estava perguntando sobre estações a uma amiga finlandesa e ela achou o cúmulo do absurdo falar de "quando especificamente" começa a primavera ou o verão. Para nós, que temos um clima ameno e quase igual o ano inteiro comparado a europa, a noção de uma data precisa para as quatro estações é comum. Mas curiosamente para ela, que esta acostumada a quatro estações extremamente bem definidas e diferentes durante o ano, o conceito de que nos tenhamos uma "data fixa" de início e fim das estações é absurdo. Nas palavras dela o inverno termina quando o inverno termina, e isso é obvio de notar para qualquer um.

Do mesmo jeito frutas tem estações muito bem definidas algo que fica muito claro na alimentação. Claro que no brasil temos "época" de morangos, ou mangas, quando as ruas ficam cheias de vendedores ambulantes com o excesso de produção. Mas pagando um pouco mais caro é fácil encontrar frutas fora da estação em mercado maiores em certas capitais. Aqui isso não é o caso e a grande maioria das frutas é MUITO sazonal, desaparecendo completamente em alguns períodos. Até mesmo o alface roxo que era obrigatório na salada parece ter sumido agora que o verão começou.

Agora essas são as diferenças sutis. Abaixo tem fotos de vários lugares que eu visitei no inverno e revisitei agora durante a primavera. A diferença em TUDO é gritante. O céu literalmente muda, tendo um azul mais profundo e brilhante enquanto no inverno tudo era uma neblina tão densa que as fotos pareciam ter somente uma cortina de luz difusa. O chão fica coberto de gramas, ervas e principalmente flores em todos os pontos, enquanto no inverno isso era somente uma cobertura de folhas marrons mortas e solo cru exposto. Mesmo as montanhas ao longe antes pareciam montes de rochas e terra cravejados de galhos pretos e secos e agora ficam cobertas de árvores. O parque da cidade (que rendeu boas fotos panorâmicas no inverno mostrando ele todo) agora esta apinhado de árvores e é difícil fotografar qualquer trecho além de uns 50 metros sem que folhas tampem a visão geral da coisa.

Para nós, que estamos acostumados a um meio ambiente todo adaptado a uma flutuação pequena nas estações, esses pequenos detalhes são algo totalmente diferentes.

 

















quarta-feira, 8 de junho de 2016

Soca Valley

Ok, se você visitar a Eslovênia o lugar MAIS FODA de ir é de longe o Soca Valley (pronuncia sochá). Sério, eu fiquei sem saber o que falar desse lugar, é de longe a região mais bonita da eslovênia. A água parece ser photoshop o tempo todo e eu não vou reclamar se acharem que as fotos que eu tirei tem efeitos adicionados. É sem sentido. O vale fica na região norte do país, quanse na fronteira com a itália, e as águas são alimentadas principalmente pelo degelo das montanhas. Além dessa peculiaridade o solo é totalmente rochoso, sendo muito difícil encontrar terra de fato perto dos rios, e o leio em sí sendo 100% só rochas muito grandes. Além disso as montanhas devem possuir algumas características minerais específicas, que ao se combinar com os outros fatores gera uma agua RIDICULAMENTE cristalina e ciano brilhante.  Olhando pela primeira vez a coisa parece quase ser um deramamento de produtos químicos porque é um azul quase fosforecente. Além da água em sí ser MUITO gelada. Não sei exatamente a temperatura mas deve ser abaixo de zero facilmente, não congelando somente devido ao movimento contínuo. Ao colocar a mão dentro do lago ela ja começa a doer bastante, ficando insuportável a dor em poucos minutos. E apesar de a distância a coloração ser esse ciano brilhante a água é cristalina de pura, sendo que nas bordas voce vê as rochas do fundo com facilidade enorme.

Além disso conseguimos entrar por um dos afluentes do rio afundo o suficiente para achar uma cachoeira interna. Ela se encontra quase dentro de uma caverna, que possui somente uma fenda no teto iluminando o lugar, é fantástico. Como uma abóboda de 20 metros e a cascata fluindo até seu fundo, mas com o teto fendido ao meio, deixando entrar luz, algo digno de um filme facil facil. Além dessa cachoeira coberta também demos a sorte de topar com uma das maiores cachoeiras do parque, mas devido ao clima pudemos so ve-la de bem longe, infelizmente.


O vale é cravejado de montanhas rochosas

Dentro do vale em sí existem diversas colinas de solo, lembrando minas

Como por toda a Eslovênia, as cidades são minúsculas mas em todos os cantos

O fundo da imagem parece um pano de tão surreal



Rio Socha, passa no meio do parque Triglav, cortando seu caminho em desfiladeiros de rochas


A floresta ao redos do rio chega a lembrar matas atlântica fechada, mas com musgos e rochas gigantes em todos cantos

Cachoeira coberta, com o teto em fenda. Infelizmente por falta de pessoas perde-se a escala

Dá para notar como a água é cristalina focando a visão nos pontos rasos, onde se ve a rocha facilmente

Topo da abóbada


Kaiake em socha: quero



Nadar: tentamos e falhamos miseravelmente. O corpo aguentava no máximo 30 segundos no rio






quarta-feira, 1 de junho de 2016

Logarska Dolina

Esse fim de semana peguei carona com alguns estudantes e fomos caminhar num parque ecológico local chamado Logarska Dolina. O lugar é incrível, e a geografia lembra muito o logo Bohinj sendo um vale montanhoso com o centro bem plano e terroso, cercado por montanhas de rochas muito íngremes. Mesmo na primavera e com a temperatura em volta de 20 graus ainda há bastante neve no cume das montanhas, com algumas trilhas estando ainda fechadas. O vale todo cheira a resina de pinho, feno e musgo, tendo algumas das poucas fazendas de cavalos que ja ví por aqui.

Como em Bohinj as águas dos riachos aqui são absurdamente cristalinas e provem do degelo, logo a maioria dos leitos rochosos está seca já. Apesar disso os riachos maiores ainda tem água o bastante e as cachoeiras mais famosas do vale ainda tem muita água.

Subindo pelas montanhas na estrada para carros vemos o vale da parte de cima, onde algumas fazendas dispersas se mantém a partir da criação de bodes e alguns vegetais. Aparentemente tais fazendas "de altitude" são bem típicas da eslovênia em especial e produzem vários produtos especiais da região, além de servirem como "hoteis turísticos" tendo quartos juntos da casa familiar para alugarem e outros serviços de "turismo caseiro". É muito curioso ver como essas fazendas familiares não somente sobrevivem até hoje, mas fazem isso bem. A julgar pelos carros dos donos as famílias nas fazendas não estão "a margem" da sociedade esperando uma chance de ir para as cidades ganhar mais. Pelo contrário, por algum motivo as fazendas tem equipamentos altamente tecnológico e os donos condições de vida muito boa, mesmo sendo criações familiares e não criações de gado/plantações intensivas. Estas também ficam afastadas de tudo, sendo que a impressão é que há uma fazenda/casa por cada cume de montanha, estando afastado de todo o resto da sociedade...

No fim resolvemos seguir a "trilha do urso" que durou umas 2 horas de subida a pé pelas matas até uma caverna bem grande que fica no topo de uma das montanhas. A caverna é uma "atração" do local tendo sido frequentada por diversas civilizações como local ritualístico. Inclusive nela foi achada a agulha mais antiga da humanidade, mostrando que mesmo antes da civilização homens ja utilizavam o local como abrigo.