segunda-feira, 16 de maio de 2016

Bohinj

Então, esse fim de semana foi no lago Bohinj, perto do parque nacional do Triglav. O lugar é RIDICULAMENTE bonito, nunca tinha visto TANTA natureza intocada assim. É RIDICULO como a água é cristalina, não é forma de falar quando eu digo que ela era totalmente transparente. Literalmente nas margens sem ondas existem ângulos de visão em que não da para notar que tem água cobrindo as pedras do fundo do lago. Além disso tudo tem um tom ciano. Em todas as direções que se olha, nas águas e principalmente a atmosfera, conforme a paisagem fica mais distante, vai ficando ciano. É impressionante. Infelizmente as fotos ficam longe de fazer jus a beleza do lugar, mas da para se ter alguma noção.

A beleza do parque era definitivamente deslumbrante, principalmente ao olhar as montanhas tão rochosas e íngremes cercando o parque e o lago, algo BEM diferente das colinas com inclinação suave e de solo terroso que existem em minas gerais. Diferente do inverno, por algum motivo, o cheiro não era tanto de resina de pinho e madeira. Outra coisa fantástica, agora que a primavera chegou, é notar a diferença de coloração das diversas árvores cobrindo as escarpas rochosas. As coníferas, mais resistentes ao inverno, mantiveram suas folhagens tendo tons de verde escuro salpicando a paisagem enquanto árvores de folhas largas, que haviam perdido toda a folhagem no inverno, agora tem uma folhagem nova de um verde muito vivo. E além destas algumas outras estão começando a ter uma folhagem vermelho acobreada, apesar de serem poucas. Isso da uma impressão incrível a distância, onde vemos diversos padrões de cores se formando nas encostas. Durante o fim de semana eu olhei para aquele vale plano cercado por montanhas e relembrei diversas vezes os livros de RPG descrevendo tais regiões e nunca entendendo direito o que significavam... agora deu para ter uma noção muito melhor. A diferença geológica é gritante, porém muito difícil de descrever em palavras para alguém que cresceu em Minas Gerais por exemplo.

Eu nunca havia entendido o conceito de subir em uma "torre" dezenas de metros e enxergar uma outra vila que estivesse a 40 kilômetros de distância, ou ver através de um vale de montanhas algo a 60 kilômetros. Crescendo em Nova Serrana, onde o horizonte sempre fica tampado por colinas pequenas a mais de 10 kilômetros, sempre foi impossível imaginar que mesmo regiões montanhosas possuíssem "vales" planos onde se pudesse ver tão distante assim.

Rolou Rafting no rio com roupa de power ranger

o lugar parece ter saído de um filme

Importante

Várias canaletas para chuva feitas de pedra cruzam as estradas


Lago Bohinj, jaaa no fundo da para ver outra cidade

As bordas do lago são todas cercadas de montanhas rochosas


Água ridiculamente transparente

Visões panorâmicas

A quantidade de musgo e árvores faz lembrar muito cenários do Studio Gibly

muito mesmo



A maioria dos rios parecem vir de degelo da neve, e não do subterrâneo


ciano




quinta-feira, 12 de maio de 2016

Veneza!!

Fomos então para Veneza. Que cidade única. De longe é a cidade mais diferente que estive, principalmente devido a evidente logística. Apesar de sempre ouvir sobre os canais eu achava que a cidade era normal, possuindo alguns rios a mais. Não, literalmente resolveram construir a cidade em cima do mar. O que levou uma população a fazer isso em primeiro lugar foi a coisa que mais me deixou curioso no início, claro. Você não fica atoa num domingo e de repente diz: Poxa, nada pra fazer... bora criar uma cidade inteira em cima do mar?

Mas a cidade não é "flutuante" ou em alto mar. O que ocorre é mais parecido com um amontoado de pedras e concreto sobre uma região "pantanosa", que coincide de ser também um mar. Pelo que vi, a cidade teve sua fundação durante a queda do império romano (beeem velha então) quando bandos estavam fugindo da capital Roma. O lugar onde a cidade se iniciou, chamado lagoon, é como um mar interno muito raso, quase um pantanal. Imagine algo como o piscinão de Ramos, uma lagoa gigantesca do lado do mar e feita de água salgada. Porém essa "lagoa" na verdade é parte do mar, já que existem vários canais grandes o suficiente ligando ela com o mar. Os refugiados viram uma boa oportunidade de se salvar dos saques nesse pântano. Construindo casas de paliçadas sobre as regiões mais firmes do pântano salgado eles ficavam seguros das incursões terrestres. Mas também havia outra vantagem, o pântano é muito raso mesmo, com profundidade de cerca de 50 centímetros, o que impede que grandes embarcações naveguem por la. Isso manteve a população a salvo de saques piratas também, permitindo a cidade crescer e se expandir sobre o pântano.

Esse crescimento foi bem desorganizado e vemos isso em toda a estrutura da cidade. O processo em sí de construção é bem complicado, envolvendo primeiro a fixação de estacas enormes de madeira no leito do rio, sobre essas paliçadas (ainda submersas) de madeira são criadas para suportarem então os alicerces de rochas sobre os quais as casas serão construídas. É quase como a construção de ilhas artificiais, porém com as ilhas sobre essas paliçadas submersas de madeira.

Isso levou a cidade a ter enormes particularidades. As vias principais de tráfego entre uma região e outra são os canais onde viagem balsas, gôndolas e "ônibus aquáticos". Outros canais mais estreitos cruzam a cidade toda permitindo táxis aquáticos e balsas levarem passageiros. Porém as "ilhas" em que as casas ficam também são ligadas por estreitas pontes (isso bem recentemente, até pouco a maior parte do transporte era mandatoriamente pela água). E nessas ilhas temos becos extremamente estreitos que os pedestres andam entre as construções. Não existem ruas de fato, somente os becos estreitos e as praças como áreas mais abertas.

Esse tipo de arquitetura gera uma quantidade enorme de peculiaridades. Desde o fato óbvio de não haver nenhum veículo de terra, até os problemas relacionados a transporte de mercadorias como abastecimento de alimentos a mercados, entrega de cartas, transporte de móveis e objetos grandes, etc. Devido a isso a população da cidade em sua grande maioria mora no continente, somente trabalhando na ilha (inclusive a ilha em sí fica praticamente deserta a noite, somente com alguns restaurantes e hotéis funcionando).

Por algum motivo curioso a cidade não fede a peixe e água de mar... Além de ser interessante ver a quantidade de regulamentações que devem existir para manter a cidade "bonita" para o turismo. É proibido nadar nos canais e você ve somente barcos de modelos bem específicos sempre no serviço relacionado a turistas. Não cheguei a ver nenhum barco pequeno de pescadores, ou qualquer outro tipo bem comum em cidades costeiras, somente os relacionados a transporte. Também não parecem haver muitos peixes nos canais dentro da cidade, apesar de terem dito que durante o verão é comum ver lulas por lá.

Outro fenômeno curioso, e bem único, é a temporada chamada água alta que ocorre quase anualmente por la. O nível do mar sobe o suficiente para literalmente inundar diversas partes da cidade e casas durante dias. O curioso é que a cidade continua funcionando normalmente e isso inclusive atrai mais turistas. Os restaurantes e hotéis mantem o funcionamento com uma camada de até 10 cm de água do mar cobrindo o chão e todos os serviços se mantém com a diferença que todos usam botas emborrachadas.


Visão de fora da estação de trem

Só passarelas estreitas ao lado dos canais.

E ruas estreitas entre as ilhas

sim

A maioria dos canais não possui passarelas e as casas tem "portas" que dão para a água



Nos canais mais largos da para ver melhor as casas como aglomerados de ilhas

Murano, a ilha do vidro


Bizarro notar que várias das esculturas expostas na rua são originais de períodos romanos


Barco El Doge. Much wow





A região toda do lagoon é como um grande pântano com poucas áreas acima do nível da água.





sexta-feira, 6 de maio de 2016

Eslovênia na primavera =D

Finalmente o tempo está esquentando mais por aqui e a primavera chegando!! Uma das coisas que mais me marcou no inverno foram os pequenos detalhes que nunca notamos por estarmos acostumados. No Brasil a variação do clima durante o ano é extremamente pequena, isso inevitavelmente causa uma evolução diferente nas plantas criando coisas que sequer notamos. A grama as vezes morre, mas em geral colinas gramadas ficam assim o ano inteiro, o mesmo para folhas nas árvores, apesar de frutos terem "estações".

Aqui literalmente tudo muda em cada estação. Isso implica que no início do inverno todas as folhas caem das árvores. E isso é MUITA coisa para quem não está acostumado. O chão fica a quase um palmo coberto de folhas laranjas e não se vê grama em lugar algum. Agora no inverso disso, TUDO começa a florescer junto. É absurdo ver em qualquer cantinho de terra dezenas de flores desabrochando onde antes não tinha nada. E segundo os moradores isso também é muito temporário, com a maioria dessas flores durante somente algumas semanas, gastando toda energia acumulada no inverno para polinizarem outros lugares.

Eu andei com uns amigos pelas florestas ao redor da cidade e da para notar isso de maneira bem forte. Apesar de o ar parecer igual, em menos de meia hora de caminhada nossas botas e calças estavam literalmente amarelas de tanto pólen grudado nelas. Nunca cheguei a ver algo assim no Brasil, todas as plantas tem um timer bem definido de quando liberar o pólen todas juntas. Isso também causa a "febre de primavera" em muitas pessoas, que acabam tendo uma reação alérgica forte sempre que a primavera chega.

É realmente uma experiência muito diferente, se você gosta de se ater a detalhes, notar com toda a vegetação muda completamente em menos de duas semanas, e todas a paisagens e lugares do inverno ficam completamente novas agora.